Por mais que tenha refletido a respeito, por mais conteúdos teóricos com os quais tenha tido contato, sei que no momento em que for "responsável" por uma turma a coisa será diferente. É muito mais fácil eu pensar no que não se deve fazer: não ser repressor, não ser preconceituoso, não ser limitado, não ser displicente, etc. Mas o que ser? Para esta pergunta não tenho uma resposta concreta. Devo confessar que sei mais o que não devo ser do que, de fato, o que devo ser.
Fico pensando se eu formarei minha identidade docente por eliminação: vou "podando" as condutas que considero equivocadas e uso o que "sobrar". Pode parecer estranho, talvez até mesmo uma postura meio "relaxada". Mas é mais difícil do que se parece. Como agirei em relação a um(a) aluno(a) que começar a fazer bagunça, ou que manifestar preconceitos que repudio, ou que agredir um(a) colega? Como aplicar o que "sobrar"?
Enfim, é algo com sobre o qual seguirei refletindo durante o curso e durante a experiência prática de ser professor. Afinal, não creio que nenhum(a) professor(a) comece "pronto(a)". Sempre será um processo de aprendizagem.
O título do blog já havia capturado minha atenção "talvez professor". Saber o que não se quer fazer já é um passo enorme, porque vamos trabalhando o espírito para antecipar e planejar um modo de ser. Nem sempre é fácil, porque a concretude do cotidiano nos pega desprevenidos. Por mais que tenhamos pensado, elaborado, cultivado ainda assim o cotidiano nos surpreende. Situações de racismo, de xenofobia, de sexismo, de discriminação com os PNEE seguidas de violência simbólica ou violência física são deveras perturbadoras. A situação é tão grave que é limitado o trabalho somente com os alunos. Há os colegas professores e há as famílias e líderes comunitários e religiosos que agem em todos os lugares. Por vezes são aliados, noutras são os agressores. Por vezes, a manifestação da discriminação é involuntária, ou seja está entranhada no sujeito e nas relações que o cerca, porque é naturalizada. Noutras vezes, os sujeitos se posicionam abertamente assim. Então, a escola não é o mundo, mas é um microcosmo que produz e reproduz as relações que circulam no mundo. No meu caso, fui aprendendo ora acertando, ora batendo a cabeça.
ResponderExcluir